Gustavo Henrique revela o que faltou ao Corinthians na eliminação para o Estudiantes

Zagueiro admite que ansiedade atrapalhou o Timão na derrota para o Estudiantes e aponta falta de calma como um dos motivos para a queda na Libertadores

Gustavo Henrique revela o que faltou
Gustavo Henrique em Corinthians x Estudiantes — Foto: Crizam França/RP FOTOPRESS/AGIF

A eliminação do Corinthians na Libertadores deixou mais do que a frustração pelo resultado. A derrota por 1 a 0 para o Estudiantes, na Neo Química Arena, expôs dificuldades que o próprio elenco reconheceu após o confronto.

Gustavo Henrique foi um dos jogadores que tentou explicar o que aconteceu em campo.

Para o zagueiro, a equipe ficou ansiosa demais para concluir as jogadas, perdeu a calma em momentos importantes e acabou sendo castigada com um gol aos 41 minutos do segundo tempo.

O defensor resumiu a noite como “para esquecer”, mas também destacou a necessidade de aprender com os erros.

Na minha avaliação, a declaração de Gustavo Henrique toca justamente no principal problema apresentado pelo Corinthians: o time até tinha a obrigação de buscar o resultado, mas confundiu urgência com pressa.

Corinthians não conseguiu transformar pressão em chances

Jogar em casa, em uma partida eliminatória de Libertadores, naturalmente aumenta a responsabilidade.

O Corinthians sabia que precisava de uma vitória para continuar vivo na competição e contou com o apoio de sua torcida durante praticamente todo o confronto.

O problema é que a pressão das arquibancadas não se transformou em uma atuação dominante.

O Estudiantes conseguiu controlar boa parte da partida e dificultou a construção ofensiva corintiana.

Na minha leitura, faltou principalmente tranquilidade. Quando o Corinthians encontrava algum espaço, a jogada muitas vezes precisava ser concluída rapidamente.

Quando o adversário fechava os espaços, faltava criatividade para encontrar outra solução.

Esse tipo de comportamento é perigoso em mata-mata.

Uma equipe que precisa marcar não pode ficar excessivamente acelerada. É justamente nesses momentos que o passe mais simples, a movimentação correta e a paciência para trabalhar a bola podem abrir uma defesa fechada.

O Corinthians não encontrou esse equilíbrio.

Gustavo Henrique, zagueiro do Corinthians – Foto: Reprodução

Gol no fim tornou a situação ainda mais difícil

O empate sem gols já colocava o Timão sob pressão, mas o gol do Estudiantes mudou completamente o cenário.

Aos 41 minutos do segundo tempo, Alexis Castro marcou para a equipe argentina e colocou o Corinthians ainda mais perto da eliminação.

Gustavo Henrique destacou justamente esse aspecto ao afirmar que o gol “dificultou tudo”.

E não é difícil entender o motivo.

Depois de passar boa parte do jogo sem conseguir marcar, o Corinthians passou a precisar de dois gols para avançar diretamente. O tempo restante era mínimo e a ansiedade, que já era um problema, aumentou ainda mais.

Na minha opinião, o gol argentino foi consequência de uma partida na qual o Corinthians nunca conseguiu estabelecer o controle necessário.

O problema não começou aos 41 minutos. Naquele momento, apenas ficou mais evidente.

Gustavo Henrique, zagueiro do Corinthians – Foto: Reprodução

Pênalti de Memphis virou o último capítulo

Mesmo sem conseguir produzir o suficiente ao longo do jogo, o Corinthians recebeu uma última oportunidade para evitar a eliminação.

No último lance da partida, o VAR confirmou um pênalti para o Timão.

Memphis Depay assumiu a responsabilidade pela cobrança, mas desperdiçou a oportunidade. A bola foi para fora e, imediatamente depois, veio o apito final.

O lance certamente ficará marcado na memória do torcedor, mas, na minha avaliação, seria um erro colocar toda a eliminação sobre o atacante.

Memphis teve a chance de levar a decisão para as penalidades e não conseguiu aproveitá-la. Isso é um fato. Porém, o Corinthians teve 90 minutos antes daquela cobrança e praticamente não incomodou o goleiro adversário.

Se o time tivesse criado várias oportunidades e desperdiçado todas, a análise seria diferente.

A cobrança de Memphis foi o último golpe, não necessariamente a origem do problema.

Corinthians cai em casa e transforma a Libertadores em mais uma ferida – Foto: Reprodução

Ansiedade explica parte do desempenho, mas não tudo

A fala de Gustavo Henrique também levanta uma discussão interessante sobre o comportamento do Corinthians em jogos decisivos.

A ansiedade pode afetar a tomada de decisão. Um jogador pode acelerar uma jogada quando deveria controlar, tentar um passe mais difícil ou finalizar de maneira precipitada.

Entretanto, na minha opinião, não é possível explicar uma atuação inteira apenas pelo aspecto emocional.

Existe também uma questão coletiva.

O Corinthians precisava encontrar maneiras de superar o bloqueio do Estudiantes, movimentar mais os jogadores ofensivos e criar superioridade em determinadas regiões do campo. Isso não aconteceu com frequência suficiente.

A ansiedade foi um sintoma. A falta de soluções foi o problema maior.

Estudiantes soube jogar com o cenário

É preciso reconhecer também o desempenho do adversário.

O Estudiantes não precisou dominar completamente o jogo para alcançar o resultado que queria. A equipe argentina conseguiu se defender, reduzir os espaços e esperar o momento certo para atacar.

Esse tipo de estratégia é bastante comum em confrontos eliminatórios.

Na minha leitura, o Corinthians caiu justamente na armadilha de acreditar que a pressão naturalmente produziria oportunidades. Não produziu.

Era necessário ter paciência para desmontar a estrutura adversária.

Quando o relógio avançou, a equipe ficou cada vez mais nervosa. E quanto maior a pressa, mais previsível ficou o ataque.

Corinthians cai em casa e transforma a Libertadores em mais uma ferida – Foto: Reprodução

Corinthians precisa aprender com a eliminação

Gustavo Henrique afirmou que o time precisa seguir em frente e aprender com os erros.

Agora, essa frase precisa realmente sair do discurso.

O Corinthians já foi eliminado da Copa do Brasil e também deixou a Libertadores. Portanto, não existe mais a possibilidade de corrigir esses problemas em outro mata-mata durante a temporada.

Restou o Campeonato Brasileiro.

E o desafio será ainda maior porque o time precisa recuperar confiança depois de uma sequência ruim de resultados.

Na minha avaliação, o Corinthians precisa olhar para a eliminação e identificar exatamente por que um elenco com jogadores como Memphis Depay e outros nomes de qualidade teve tanta dificuldade para criar diante de sua torcida.

Não basta dizer que faltou calma.

É preciso entender por que faltou calma, por que o sistema ofensivo não funcionou e por que a equipe não conseguiu encontrar alternativas quando o Estudiantes fechou os espaços.

A resposta terá que vir no Brasileirão

A próxima oportunidade de reação será contra o Fluminense, domingo, às 16h (de Brasília), na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro.

Depois da queda continental, a competição nacional ganhou ainda mais importância.

O Corinthians precisa recuperar resultados e confiança, mas também precisa mostrar evolução no futebol apresentado.

Na minha opinião, a eliminação contra o Estudiantes pode ser encarada como um ponto de ruptura. O clube não tem mais como mudar o resultado da Libertadores, mas pode decidir o que fará com as lições deixadas pela partida.

Gustavo Henrique definiu a noite como uma “noite para esquecer”.

Concordo apenas em parte.

O Corinthians precisa esquecer a frustração para conseguir reagir, mas não pode esquecer os erros que levaram à eliminação.

Porque, se a equipe realmente aprender com aquilo que aconteceu na Neo Química Arena, a derrota pode servir para corrigir problemas que já vinham aparecendo. Caso contrário, será apenas mais um capítulo doloroso de uma temporada que já acumula eliminações e muita pressão.