Corinthians chega ao fim do ano sem respostas e vê temporada desmoronar

Eliminação para o Estudiantes expõe um time sem reação, aumenta a pressão sobre Fernando Diniz e deixa o Brasileirão como única missão restante

Corinthians chega ao fim
Diniz assume responsabilidade por má fase do Corinthians – Foto: Reprodução

A bola de Memphis Depay por cima do gol do Estudiantes foi mais do que o fim de uma disputa por pênaltis que sequer chegou a acontecer.

Naquele instante, o Corinthians também viu desaparecer sua última possibilidade de salvar uma temporada que há algum tempo dava sinais de estar saindo dos trilhos.

A derrota por 1 a 0 na Neo Química Arena, diante de sua torcida, confirmou a eliminação nas quartas de final da Libertadores.

E, sinceramente, o mais difícil para o torcedor não é apenas aceitar a queda. É olhar para o que o Corinthians apresentou em campo e perceber que a classificação não foi perdida somente naquele pênalti.

Memphis poderia ter empatado. Poderia ter levado a decisão para as penalidades. Mas o Corinthians teve praticamente toda a partida para construir uma vantagem e não conseguiu.

Na minha avaliação, esse é o ponto central da eliminação.

O Corinthians não perdeu apenas a classificação

Diniz assume responsabilidade por má fase do Corinthians – Foto: Reprodução

O Estudiantes fez o gol aos 41 minutos do segundo tempo, com Alexis Castro, e colocou o Corinthians em situação ainda mais complicada.

Mas, até aquele momento, o time de Fernando Diniz já vinha apresentando um futebol insuficiente.

Era uma partida em que o Corinthians precisava se impor. Jogava em casa, tinha o apoio de mais de 47 mil torcedores e sabia exatamente qual resultado precisava buscar.

Nada disso foi suficiente.

O Estudiantes encontrou conforto para defender, conseguiu diminuir os espaços e não sofreu uma pressão proporcional à necessidade corintiana de vencer.

Na minha leitura, quando um time precisa ganhar um jogo eliminatório dentro de casa e termina criando tão pouco, existe um problema que vai muito além de azar.

O Corinthians não encontrou caminhos.

Memphis, Garro e Bidon não conseguiram mudar o jogo

Corinthians cai em casa e transforma a Libertadores em mais uma ferida – Foto: Reprodução

Uma das maiores decepções da noite foi justamente o desempenho dos jogadores que deveriam assumir a responsabilidade técnica.

Memphis Depay, Rodrigo Garro e Breno Bidon estiveram abaixo do que se esperava.

O Corinthians precisava de criatividade, velocidade na circulação da bola e capacidade para encontrar espaços. Nenhum desses elementos apareceu de forma consistente.

Memphis acabou ficando marcado pelo pênalti perdido, mas seria injusto resumir sua atuação à cobrança.

Garro também não conseguiu exercer a influência que normalmente se espera dele, enquanto Bidon teve dificuldades para participar da construção ofensiva.

Na minha opinião, quando os principais jogadores técnicos desaparecem simultaneamente em uma partida dessa importância, o trabalho coletivo precisa compensar. E o Corinthians também não conseguiu fazer isso.

Diniz também precisa assumir sua parcela

Diniz assume responsabilidade por má fase do Corinthians – Foto: Reprodução

Fernando Diniz reconheceu depois da partida que tem grande responsabilidade pela fase ruim do Corinthians.

E, neste ponto, concordo com o treinador.

Não porque a eliminação seja exclusivamente culpa dele, mas porque algumas decisões durante a partida deixaram a impressão de que o Corinthians demorou demais para reagir.

Até o gol do Estudiantes, Diniz havia realizado apenas uma alteração: André entrou no lugar de Carrillo.

O time já apresentava dificuldades desde o primeiro tempo, e a necessidade de uma intervenção mais agressiva parecia evidente.

Na minha avaliação, uma partida de Libertadores em casa, com a classificação em jogo, exigia mais do banco de reservas. Era necessário tentar mudar a dinâmica do confronto antes que o relógio chegasse aos minutos finais.

Diniz pode argumentar que as opções eram limitadas. E isso é verdade.

Mas justamente por ter um elenco que não foi montado por ele, o treinador precisa encontrar soluções alternativas dentro das características que possui.

Este não é o Corinthians que começou o trabalho de Diniz

Fernando Diniz comanda treino do Corinthians no CT Joaquim Grava — Foto: Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians
Fernando Diniz comanda treino do Corinthians no CT Joaquim Grava – Foto: Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians

Essa talvez seja uma das questões mais curiosas do momento atual.

O Corinthians de Fernando Diniz começou apresentando características que animaram parte da torcida. O time parecia mais organizado, competitivo e capaz de controlar determinados momentos das partidas.

Com o passar dos meses, entretanto, essa identidade foi desaparecendo.

O treinador também precisou adaptar suas convicções.

Na minha opinião, Diniz passou a ser muito mais pragmático do que em trabalhos anteriores. É compreensível.

Ele recebeu um elenco que não foi construído de acordo com suas preferências, perdeu jogadores importantes e conviveu com limitações financeiras que dificultaram a chegada de reforços.

Mas existe uma consequência nessa adaptação.

O Corinthians acabou ficando no meio do caminho: não apresentou o futebol associativo e agressivo característico dos melhores trabalhos de Diniz, mas também não se transformou em uma equipe extremamente eficiente e pragmática.

E essa combinação não funcionou.

A crise administrativa aparece dentro de campo

Osmar Stabile, presidente do Corinthians – Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Seria impossível analisar o fracasso esportivo sem mencionar o que acontece fora das quatro linhas.

O Corinthians atravessa uma crise administrativa e financeira que interfere diretamente no futebol.

O clube teve dificuldades para manter pagamentos em dia, sofreu restrições no mercado e não conseguiu reforçar o elenco da maneira que seria necessária.

Na minha leitura, existe uma relação evidente entre os problemas estruturais e o desempenho apresentado pelo time.

Não significa que toda derrota seja explicada pela crise financeira. Isso seria uma simplificação.

Mas um clube instável administrativamente tem mais dificuldade para construir um elenco equilibrado, planejar a temporada e oferecer tranquilidade para comissão técnica e jogadores.

O desequilíbrio começa fora de campo e acaba aparecendo dentro dele.

Uma temporada de eliminações

Reação de Memphis Depay à perda do pênalti no fim de Corinthians x Estudiantes pela Libertadores — Foto: Reprodução

A queda para o Estudiantes foi apenas o capítulo mais recente.

O Corinthians também deixou a Copa do Brasil, eliminado pelo Internacional, e caiu no Campeonato Paulista diante do Novorizontino. No Brasileirão, a campanha está muito distante daquilo que a torcida esperava.

Agora, a Libertadores também acabou.

Na minha opinião, é difícil encontrar uma narrativa positiva para essa temporada.

Não porque o Corinthians não possa terminar o ano de maneira digna, mas porque as principais oportunidades de construir algo relevante foram desperdiçadas.

E o pior: os problemas aparecem em competições diferentes, com adversários diferentes e em momentos diferentes.

Isso aponta para uma dificuldade estrutural.

O Brasileirão virou uma questão de sobrevivência esportiva

Coritiba x Corinthians — Foto: Paulo De Tarso/AGIF
Coritiba x Corinthians — Foto: Paulo De Tarso/AGIF

Com a eliminação continental, sobra apenas o Campeonato Brasileiro.

O Corinthians chega ao trecho final da temporada sem disputar título e pressionado pela necessidade de melhorar sua situação na tabela.

São seis partidas consecutivas sem vitória e três derrotas seguidas dentro da Neo Química Arena.

O cenário não combina com a história e o tamanho do clube.

Agora, o objetivo precisa ser mais básico: recuperar resultados, afastar qualquer risco na parte inferior da tabela e terminar o ano com condições de iniciar um novo ciclo.

Na minha avaliação, não existe mais espaço para grandes discursos.

O Corinthians precisa jogar melhor.

Precisa encontrar uma maneira de fazer Memphis, Garro e seus principais jogadores funcionarem, precisa recuperar Yuri Alberto quando o centroavante estiver disponível e precisa dar a Diniz condições mínimas para trabalhar.

Mas também é necessário reconhecer que o treinador precisa entregar mais.

Diniz ainda pode mudar a história, mas o tempo está curto

Eu considero Fernando Diniz um treinador capaz de produzir equipes muito interessantes quando consegue implementar suas ideias.

Por isso, ainda existe curiosidade para saber o que ele poderá fazer com mais tempo e, principalmente, com um elenco montado de acordo com suas necessidades.

O problema é que o Corinthians não tem mais tempo para testar isso nesta temporada.

A Libertadores acabou. A Copa do Brasil acabou. O Paulista já havia terminado.

Restou o Brasileirão.

Na minha opinião, o maior desafio de Diniz agora é impedir que o restante do ano se transforme apenas em uma contagem regressiva para 2027.

O Corinthians precisa terminar a temporada mostrando algum sinal de evolução.

A derrota para o Estudiantes foi dolorosa, mas também esclarecedora. O pênalti perdido por Memphis foi o último ato de uma eliminação que já vinha sendo construída por um time pouco criativo, ansioso e sem capacidade de encontrar soluções.

O Corinthians não perdeu apenas uma classificação.

Perdeu a última grande chance de transformar uma temporada turbulenta em algo memorável.

Agora, será preciso trabalhar para que o próximo ano não comece carregando exatamente os mesmos problemas.