Diniz reconhece que não encontrou soluções após perder Yuri Alberto e outros titulares, enquanto Corinthians chega pressionado ao Brasileirão depois de duas eliminações

Fernando Diniz não tentou fugir da responsabilidade depois da eliminação do Corinthians na Libertadores.
Em entrevista após a derrota para o Estudiantes, o treinador reconheceu que tem participação importante na má fase e admitiu que não conseguiu encontrar soluções para os problemas que apareceram no elenco.
A sinceridade do técnico é importante, mas, na minha avaliação, ela também escancara uma questão que ultrapassa o trabalho de Diniz.
O Corinthians perdeu jogadores importantes, ficou limitado financeiramente, não conseguiu contratar e, principalmente, não encontrou respostas dentro do próprio elenco.
O resultado é um time que chega ao fim de setembro em uma situação bastante diferente daquela vivida antes da pausa para a Copa do Mundo.
Corinthians perdeu o rumo depois da pausa
A sequência recente é preocupante.
O Corinthians está há seis jogos sem vencer, com cinco derrotas e um empate. Considerando as últimas dez partidas, são seis derrotas, dois empates e apenas duas vitórias.
O cenário fica ainda mais pesado porque a equipe foi eliminada da Copa do Brasil e da Libertadores justamente nesse período.
Antes da paralisação, o trabalho de Diniz dava sinais mais positivos. O Corinthians chegou a ficar sete partidas sem sofrer gols, avançou nas competições eliminatórias e conseguiu melhorar sua posição no Campeonato Brasileiro.
Depois, porém, a equipe perdeu rendimento de maneira muito clara.
Na minha leitura, é justamente aí que começa a principal dificuldade para explicar o momento atual: não se trata simplesmente de um time que sempre jogou mal. Houve uma mudança significativa de desempenho.

Ausência de Yuri Alberto virou um problema enorme
Diniz foi direto ao falar sobre Yuri Alberto.
O treinador reconheceu que não conseguiu encontrar uma alternativa para substituir o centroavante e admitiu que a ausência do jogador pesou mais do que deveria.
Os números ajudam a entender essa dependência. Yuri é o artilheiro do Corinthians na temporada, com oito gols, e possui características que não são facilmente encontradas entre os outros atacantes do elenco.
O problema ficou evidente nas tentativas realizadas pela comissão técnica.
Pedro Raul foi utilizado como referência, mas não conseguiu entregar a mesma dinâmica. Depois, o retorno de Memphis também não resolveu o problema ofensivo, especialmente quando o holandês atuou ao lado de Kaio César.
Na minha opinião, esse é um dos pontos que mais precisam ser discutidos. Não é possível montar um planejamento esportivo que dependa tanto de uma única peça.
Quando Yuri saiu, o Corinthians deveria ter alternativas minimamente preparadas para manter seu modelo de jogo. Isso não aconteceu.

Diniz tem responsabilidade, mas não é o único problema
O próprio treinador reconheceu que poderia ter feito mais.
Diniz falou em falta de soluções, manejo e agressividade. Também admitiu que a equipe precisava demonstrar mais energia e imposição física para conseguir vencer partidas como as contra Chapecoense e Santos.
Concordo que o técnico precisa ser cobrado.
Afinal, encontrar alternativas diante de desfalques faz parte do trabalho de uma comissão técnica. Se um jogador importante sai, é necessário mudar o sistema, adaptar características ou encontrar outra maneira de produzir ofensivamente.
Mas, na minha avaliação, seria um erro colocar toda a crise na conta de Diniz.
O treinador perdeu peças importantes durante o período. Zakaria, André e Yuri Alberto ficaram fora em momentos diferentes, e o elenco já vinha convivendo com limitações.
Além disso, o clube não conseguiu buscar reforços.

Crise financeira também entra em campo
Aqui está uma parte fundamental da história.
O Corinthians atravessa uma grave crise financeira, com atrasos em salários e direitos de imagem e dificuldades para movimentar o mercado.
O clube também sofreu três transfer bans, que impediram a contratação de jogadores na última janela.
Diniz deixou claro que, se houvesse dinheiro disponível e o clube não estivesse impedido de contratar, reforços teriam sido buscados.
E esse é um ponto que considero impossível ignorar.
Não dá para cobrar do treinador a mesma capacidade de reposição de um clube que possui liberdade financeira para contratar. O Corinthians perdeu jogadores importantes e não conseguiu repor essas peças no mercado.
O problema, portanto, começa na estrutura e termina aparecendo no campo.

Corinthians não pode usar os desfalques como explicação para tudo
Ao mesmo tempo, existe um limite para essa justificativa.
Na minha leitura, os desfalques explicam parte da queda de rendimento, mas não explicam seis jogos sem vitória.
Um time com as dimensões do Corinthians precisa encontrar maneiras de competir mesmo quando perde titulares.
A equipe ainda possui jogadores experientes e tecnicamente qualificados. Memphis Depay, Rodrigo Garro e André Carrillo, por exemplo, representam um nível técnico que deveria permitir ao Corinthians criar mais do que vem criando.
O problema é fazer essas peças funcionarem juntas.
A derrota para o Estudiantes mostrou isso de maneira bastante clara. O Corinthians precisava vencer em casa e teve enorme dificuldade para criar oportunidades.
O ataque novamente produziu pouco e a classificação acabou dependendo de um momento isolado que não aconteceu.

Ambiente fora de campo aumenta a pressão
Enquanto Diniz tenta encontrar soluções dentro do gramado, o Corinthians convive com uma crise institucional que também pesa sobre o ambiente.
A situação financeira é delicada, e há investigações relacionadas à gestão do clube. O momento administrativo aumenta a instabilidade justamente quando o time mais precisava de tranquilidade para reagir.
Diniz reconheceu que os problemas institucionais coincidiram com a queda de desempenho esportivo.
Na minha opinião, essa coincidência não pode ser ignorada. Jogadores, comissão técnica e dirigentes trabalham dentro do mesmo ambiente. Quando existe insegurança fora do campo, a pressão inevitavelmente chega ao futebol.
Isso não significa que problemas administrativos determinem resultados. Mas tornam muito mais difícil construir estabilidade.

Brasileirão virou a prioridade absoluta
Agora não existe outra competição para servir como válvula de escape.
Depois das eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, o Campeonato Brasileiro é o único caminho restante para o Corinthians até o fim da temporada.
E a situação na tabela exige atenção.
O Timão está na 14ª colocação, quatro pontos acima da zona de rebaixamento. Portanto, o objetivo imediato não pode ser simplesmente terminar o ano de maneira honrosa. É necessário interromper a sequência negativa e recuperar uma margem segura na classificação.
O próximo compromisso será contra o Fluminense, neste domingo, às 16h, na Neo Química Arena, pela 28ª rodada.
Depois disso, haverá uma pausa para a Data Fifa, e o Corinthians só voltará a jogar em 7 de outubro, diante do Internacional, no Beira-Rio.
Esse intervalo pode ser importante para Diniz reorganizar a equipe.
Na minha avaliação, o Corinthians precisa usar esse período para resolver três questões: encontrar uma alternativa ofensiva sem Yuri Alberto, recuperar a confiança de jogadores importantes e reconstruir um padrão coletivo que desapareceu nas últimas semanas.
Diniz assumiu sua parcela de responsabilidade, e isso precisa ser levado em consideração. Mas a crise do Corinthians é maior do que o treinador.
O clube perdeu jogadores, não conseguiu contratar, enfrenta problemas financeiros e institucionais e agora precisa impedir que uma temporada que começou com sinais positivos termine em completo colapso esportivo.
O Brasileirão será o teste definitivo para descobrir se o Corinthians consegue reagir ou se a crise continuará avançando.

