Muro da sede do Corinthians foi alvo de pichações contra Memphis Depay após eliminação para o Estudiantes e aumenta pressão sobre o clube na reta final da temporada

A eliminação do Corinthians na Libertadores não terminou com o apito final na Neo Química Arena.
Na madrugada desta quinta-feira, o muro do Parque São Jorge, sede social do clube, foi pichado com mensagens de protesto direcionadas principalmente ao atacante Memphis Depay.
O Timão perdeu por 1 a 0 para o Estudiantes, da Argentina, e deixou a competição ainda nas quartas de final.
O resultado aumentou a insatisfação de parte da torcida, especialmente porque o Corinthians teve uma última oportunidade para buscar a classificação, mas Memphis desperdiçou a cobrança de pênalti no último lance.
Entre as mensagens deixadas no muro estavam “Fora Memphis” e “salário de milhões, futebol de centavos”.
O episódio mostra como a eliminação mudou rapidamente o ambiente ao redor do clube. Na minha avaliação, porém, é importante separar a cobrança legítima por desempenho do vandalismo.
A temporada do Corinthians possui problemas muito maiores do que um único jogador ou uma cobrança de pênalti.

Memphis virou o principal alvo após eliminação
Memphis naturalmente ficou no centro das críticas por causa do lance decisivo diante do Estudiantes.
O atacante assumiu a responsabilidade pela cobrança no último lance, mas acertou o travessão e não conseguiu evitar a eliminação corintiana.
Como já havia desperdiçado outras penalidades pelo clube, o episódio acabou reforçando uma percepção negativa que vinha sendo construída ao longo da temporada.
O holandês também atravessa um período de baixa produção ofensiva. Com apenas um gol marcado em 2026 pelo Corinthians, Memphis está longe dos números que se esperava de um jogador considerado uma das principais referências técnicas do elenco.
Por isso, entendo a frustração do torcedor com o desempenho. O que não considero correto é transformar Memphis no único responsável por uma eliminação que foi construída ao longo de toda a partida.
O Corinthians teve 90 minutos para marcar e não conseguiu. A equipe sofreu um gol, criou dificuldades para reagir e terminou eliminada dentro de casa. O pênalti foi o último capítulo de um problema que já existia.

Protesto acontece em momento delicado
A queda para o Estudiantes deixa o Corinthians com apenas o Campeonato Brasileiro pela frente.
O clube já havia sido eliminado da Copa do Brasil e agora precisa concentrar todas as forças na competição nacional.
O cenário é especialmente preocupante porque o Timão ocupa apenas a 14ª posição, com 32 pontos, e está quatro pontos acima da zona de rebaixamento.
Na minha leitura, esse é o ponto que deveria concentrar a maior parte da preocupação do clube.
A eliminação da Libertadores é dolorosa porque representa a saída de uma competição importante e encerra o sonho de conquistar um título continental.
Entretanto, o Corinthians ainda precisa olhar para a tabela do Brasileirão e evitar que a frustração da queda contamine a reta final da temporada.
O risco esportivo continua existindo.

Críticas ao salário mostram outra discussão
A mensagem relacionada ao salário de Memphis também chama atenção porque resgata uma discussão que acompanha o jogador desde sua chegada ao Corinthians.
A contratação do holandês sempre esteve ligada a um investimento elevado e a expectativas proporcionais ao custo do atleta. Quando o desempenho aparece abaixo do esperado, a cobrança naturalmente aumenta.
Na minha opinião, o debate sobre custo-benefício é válido. O torcedor tem o direito de questionar se a produção de um jogador corresponde ao investimento realizado pelo clube.
Mas existe uma diferença entre questionar uma contratação e atribuir todos os problemas financeiros e esportivos do Corinthians a Memphis.
O clube possui uma realidade financeira complexa, dificuldades administrativas e um elenco que passou por diversas mudanças. Colocar toda essa situação sobre um único atleta simplifica demais um problema que é estrutural.
Corinthians precisa reagir rapidamente
O protesto no Parque São Jorge é mais um sinal da insatisfação que tomou conta do ambiente corintiano depois da eliminação.
Agora, a resposta precisa acontecer dentro de campo.
O próximo compromisso será contra o Fluminense, domingo, às 16h (de Brasília), na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro.
O confronto ganha peso justamente porque o Corinthians precisa interromper uma sequência de cinco partidas sem vitória na competição.
Para Memphis, será uma oportunidade de tentar mudar o ambiente ao seu redor. Para o elenco, será a chance de mostrar que a eliminação continental não provocará uma queda ainda maior de rendimento.
Na minha avaliação, o Corinthians não precisa apenas de um jogador para resolver a situação. Precisa recuperar competitividade como equipe.
Memphis pode ser parte dessa reação, mas não será suficiente sozinho.
A pichação no Parque São Jorge representa a dimensão da revolta após uma eliminação dolorosa. O desafio do Corinthians, agora, é transformar essa pressão em resposta esportiva antes que a reta final do Brasileirão se torne ainda mais complicada.

