Corinthians recebe oferta por estrelas internacionais, mas crise financeira trava reforços

El Shaarawy e Bakayoko foram oferecidos ao Corinthians nesta janela, mas diretoria priorizou salários e dívidas que mantêm clube impedido de contratar

Marcelo Paz, diretor executivo do Corinthians - Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Marcelo Paz, diretor executivo do Corinthians – Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

O Corinthians teve a oportunidade de buscar dois nomes de peso no futebol internacional nesta janela de transferências, mas a realidade financeira do clube falou mais alto.

Segundo Marcelo Paz, executivo de futebol do Timão, El Shaarawy e Tiémoué Bakayoko foram oferecidos ao clube, porém as conversas não avançaram por causa da situação financeira e dos transfer bans que impedem o registro de novos jogadores.

A revelação mostra, ao mesmo tempo, a força que o nome do Corinthians ainda possui no mercado e o tamanho da crise enfrentada atualmente pelo clube.

Afinal, jogadores com passagens por grandes equipes europeias foram apresentados à diretoria, mas sequer puderam entrar em uma negociação efetiva.

Na minha avaliação, esse é um dos retratos mais claros da atual situação do Timão: o Corinthians ainda consegue atrair jogadores de grande currículo, mas não possui hoje condições financeiras e jurídicas para transformar essas oportunidades em reforços.

El Shaarawy e Bakayoko foram oferecidos ao Corinthians

El Shaarawy foi oferecido ao Corinthians — Foto: Reuters

Marcelo Paz confirmou que os dois jogadores chegaram ao conhecimento da diretoria durante a janela de transferências.

El Shaarawy, de 33 anos, foi revelado pelo Genoa e ganhou destaque principalmente durante sua passagem pelo Milan. O atacante também defendeu Monaco e Roma, além de ter atuado por duas temporadas no futebol chinês.

Atualmente livre no mercado, o italiano procura um novo clube para continuar a carreira.

Tiémoué Bakayoko, de 32 anos, surgiu profissionalmente no Rennes e teve seu grande momento no Monaco. Na equipe francesa, chegou a atuar ao lado de Kylian Mbappé antes de seguir para o futebol inglês.

O meio-campista também passou por clubes como Chelsea, Milan, Napoli e Lorient. Na última temporada, defendeu o PAOK.

São currículos que chamam atenção, mas que não foram suficientes para mudar a postura da diretoria corintiana.

Crise financeira impede Corinthians de negociar

Mbappé e Tiemoue Bakayoko pelo Monaco — Foto: Divulgação/Nike

Segundo Marcelo Paz, o Corinthians recebeu as indicações, buscou informações sobre os atletas, mas não avançou porque o clube não poderia registrá-los.

O motivo principal é conhecido: o Timão possui atualmente três transfer bans ativos e está impedido de inscrever novos jogadores.

Na minha opinião, seria irresponsável pensar em novas contratações enquanto o clube ainda enfrenta dificuldades para cumprir obrigações básicas com o próprio elenco. O discurso adotado pela diretoria, portanto, faz sentido do ponto de vista financeiro.

Antes de pensar em El Shaarawy, Bakayoko ou qualquer outro nome de impacto, o Corinthians precisa colocar a casa em ordem.

Corinthians prioriza salários antes de novos reforços

Marcelo Paz deixou claro que a prioridade atual da diretoria é utilizar os recursos disponíveis para pagar os salários dos jogadores.

O clube ainda possui um mês de direitos de imagem em aberto com o elenco masculino, além de valores relacionados a férias e premiações.

O executivo afirmou que o primeiro recurso relevante que entrar nos cofres será direcionado aos salários e, posteriormente, às dívidas que provocaram os transfer bans.

Esse posicionamento mostra uma mudança importante de prioridade. Em vez de buscar nomes para aumentar a qualidade do elenco, a diretoria precisa primeiro garantir que os compromissos já assumidos sejam cumpridos.

E esse talvez seja o ponto mais importante de toda a história.

Três transfer bans deixam Corinthians sem poder de reação

Marcelo Paz, diretor executivo do Corinthians - Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Marcelo Paz, diretor executivo do Corinthians – Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

O Corinthians possui três punições que impedem o registro de jogadores. Duas delas foram impostas pela Fifa e outra pela CBF, relacionada ao descumprimento de termos da CNRD.

A consequência prática é enorme: mesmo que um jogador de alto nível seja oferecido gratuitamente, o clube não consegue simplesmente contratá-lo e colocá-lo em campo.

Existe uma diferença entre ter um jogador disponível no mercado e possuir condições de registrá-lo.

A situação de Memphis Depay é um exemplo disso. O Corinthians conseguiu renovar o contrato e reativá-lo na CBF porque o holandês já possuía um vínculo anterior com o clube.

Na minha avaliação, isso deixa ainda mais evidente o tamanho da limitação atual. O problema não é apenas falta de dinheiro para contratar. O Corinthians está juridicamente impedido de registrar novos atletas.

Dívida do Corinthians chega a R$ 2,7 bilhões

A crise também precisa ser analisada em uma dimensão maior.

O endividamento total do Corinthians está na casa dos R$ 2,7 bilhões. Ao mesmo tempo, o clube precisa lidar com compromissos imediatos, como salários, direitos de imagem, férias e premiações.

Esse cenário ajuda a explicar por que nomes como El Shaarawy e Bakayoko não avançaram.

O torcedor pode até imaginar como seria interessante ver jogadores desse nível vestindo a camisa do Timão, mas a realidade financeira exige outra postura.

Na minha opinião, o Corinthians precisa primeiro recuperar sua capacidade de planejamento. Contratar jogadores de impacto pode ser tentador, principalmente quando eles estão livres no mercado, mas não faz sentido aumentar a folha salarial enquanto existem dívidas pendentes e punições impedindo novos registros.

Corinthians ainda tem força no mercado, mas precisa sair da crise

A história de El Shaarawy e Bakayoko deixa uma conclusão curiosa: o Corinthians continua sendo um clube capaz de despertar interesse de jogadores e empresários de nomes importantes.

O problema é que essa força institucional não está acompanhada, neste momento, pela capacidade financeira necessária para aproveitar as oportunidades.

Para mim, esse é o maior contraste da situação atual. O Corinthians ainda é grande o suficiente para receber ofertas de jogadores de impacto mundial, mas está financeiramente limitado a ponto de não conseguir sequer avançar nas conversas.

Enquanto os salários e as dívidas continuarem sendo prioridade absoluta, o mercado terá de esperar.

Antes de buscar novas estrelas, o Timão precisa recuperar o direito de contratar, equilibrar suas contas e reconstruir a confiança financeira.

Só então nomes como El Shaarawy e Bakayoko poderão deixar de ser oportunidades perdidas e voltar a representar possibilidades reais para o clube.